editoraphysalis
1 de Jun de 2017

AFETO E APRENDIZAGEM

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Pablo Morenno Após minha experiência de adoção, tenho conversado com professores sobre a formação do vínculo e sobre o afeto na relação pedagógica. É um tema espinhoso. Mas precisamos conversar sobre ele.

Como se fosse um mantra, tenho repetido no início das conversas e assim também encerro: não há educação sem vínculo, e não há vínculo sem afeto.

Piaget foi um dos primeiros teóricos que questionou a separação entre conhecimento e afeto. Até então se pensava que aprender não tinha nada a ver com a relação “amorosa” que se estabelece entre o mestre e o discípulo. No livro “Abstração reflexionante- Relações lógico-elementares e ordem das relações espaciais” o pensador defende que toda ação e pensamento comportam um aspecto cognitivo, representado pelas estruturas mentais, e um aspecto afetivo, representado por uma energética, que é a afetividade. Ou seja, “a afetividade constitui aspecto indissociável da inteligência, pois ela impulsiona o sujeito a realizar as atividades propostas”. Segundo o autor, “os educandos alcançam um rendimento infinitamente melhor quando se apela para seus interesses e quando os conhecimentos propostos correspondem às suas necessidades”.

Poucos professores se dão conta que a “motivação” para aprender não é algo inato. Mesmo o aluno inteligente, precisa dessa “energética”, que é a afetividade para fazer disparar suas capacidades cognitivas. Para se trabalhar o afeto, há que se superar o mito de que as emoções são estruturas acabadas. No livro já citado , Piaget trabalha a ideia de que as emoções são aprendidas e construídas socialmente.

Todo professor com um pouco de experiência sabe que crianças com dificuldades de relacionamento na escola, agressivas, com autoestima baixa, - quase sempre rotuladas de difíceis complicadas, sem limites, e sem educação – são, na verdade, crianças com problemas de afeto, e isso pode (e deve) ser trabalhado pelos professores.

Profissionais da educação que se preocupam apenas em passar o conteúdo são bons técnicos, mas péssimos professores. Professor, para merecer este nome, precisa olhar seu aluno buscando nele sua melhor possibilidade e catando mais emoção do que inteligência. Criar vínculo é estabelecer com o aluno um olhar do mundo em vai-e-vem, onde ambos crescem como seres humanos e se deslumbram com os encantamentos do conhecer. Só assim a educação acontece.

 

Pablo indica:

“A Casa Imaginária – Leitura e Literatura na primeira Infância”, de Yolanda Reyes.

Baseada em sua oficina “Espantapájaros” em Bogotá, a autora, escritora e psicopedagoga mostra a importância da literatura e da contação de histórias na criação de significados da vida e do mundo e na elaboração das emoções e do afeto na primeira infância. Livro imprescindível na biblioteca de qualquer professor, especialmente do ensino fundamental.

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    "A IMPORTÂNCIA DO TEXTO LITERÁRIO NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DO LEITOR " “A eficácia da escola pode ser medida no modo como conseguiu prover o aluno de competência linguística para o exercício consciente de sua cidadania”. Luzia de Maria, in Leitura & Colheita, Vozes. Acredito ser a formação do leitor uma das principais funções da escola. Acredito, também, que o texto literário é a porta de entrada para o mundo da leitura e fator imprescindível no processo de formação do leitor. Uma proposta de educação que se queira transformadora, inclusiva, democrática, emancipatória, só será possível se a escola tiver sucesso nessa que é a sua maior tarefa: formar leitores. Nesse processo os educadores podem contar com um instrumento da maior importância - a literatura infantil - a qual, por seu caráter lúdico-mágico, é o caminho natural, a chave mágica que abre a porta de entrada principal que dá acesso ao mundo da leitura e a tudo o que ela pode nos proporcionar. A literatura fala a linguagem que a criança entende. Assim como a criança, a literatura também é ludismo, jogo de sentidos, fantasia, beleza e emoção. Enquanto lúdica ela pode proporcionar prazer a partir da sonoridade, do ritmo, do jogo de imagens e de palavras. Por essa razão a literatura torna-se também uma gostosa e emocionante experiência. A brincadeira, o jogo, a fantasia, são formas utilizadas pela criança para explorar, conhecer e explicar o mundo. Com o auxílio da fantasia, da imaginação, ela penetra mundos desconhecidos e distantes em busca de respostas para suas inúmeras indagações. Por tudo isso, acreditamos que nenhum texto pode realizar melhor essa tarefa do que a literatura dirigida para as crianças, uma vez que nela esses aspectos são igualmente considerados essenciais.
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